Breve controle
Ultimamente foram muitas receitas médicas. Receitas controladas e descontroladas. Receitas que receberam carimbos e separadas de suas…
Breve controle
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Ultimamente foram muitas receitas médicas. Receitas controladas e descontroladas. Receitas que receberam carimbos e separadas de suas irmãs gêmeas “cópias”, foram morar nas farmácias. Receitas que viraram foto e foram parar no WhatsApp. Receitas que foram armazenadas na minha pasta com a etiqueta “Saúde”. Receitas de males temporários que foram para o lixo reciclável. Receitas impressas e escritas à mão e que só o farmacêutico conseguiu decifrar…
Na minha quase coleção, tenho receitas de gotinhas sublinguais de florais de Bach; homeopatia em forma de bolinhas açucaradas que derretem na boca e um spray nasal que pra mim tem cheiro de rosas; comprimidos para gastrite e que devem ser tomados em jejum; cápsulas em cor pink para dar energia; pílulas azuis de anticoncepcionais; tarja preta para ansiedade… Diversidade é o que não falta e até pensei em descrever aqui minha rotina medicamentosa, de dar inveja até no Melman (aquele personagem hipocondríaco de Madagascar), mas acho que você não seguiria em frente nesse texto pois seria um parágrafo tão tedioso… Pior que isso, só bula de remédio.
O que interessa mesmo, é que a maioria desses medicamentos são minha companhia há pouco menos de um ano, quando sessões de terapia, reiki, acupuntura, meditação e ioga não estavam mais dando conta de tantos pensamentos submersos e perdidos em rodas de fumaça de incenso.
Meus sentimentos agora estão sendo monitorados pela Sra. Venlafaxina (a tarja preta) e eu deixei. São 37,5mg toda manhã (dose “homeopática” de acordo com minha psiquiatra). Com ela, eu não choro mais nos filmes da Segunda Guerra Mundial, eu não choro mais quando vejo outra pessoa chorando, eu não choro mais lembrando do passado, eu não choro mais por… NADA. E não que eu não tenha vontade, às vezes até tenho, mas as lágrimas, acho que decidiram tirar um sabático no Caribe (também, por terem que fazer tanta hora extra meses antes, nada mais justo).
Na realidade, deixei de sucumbir aos desejos insensatos de minhas emoções. Elas parecem estar meio dopadinhas, mas é só porque estão aprendendo a não viver tão impulsivamente.
E ao mesmo tempo que é bom, é ruim e ao mesmo tempo que é ruim, é bom. Nesse caminho, está sendo preciso me separar ligeiramente de meus balsámos de alma para reencontrar essências antes perdidas pelo excesso. Excesso de angústia, de ansiedade, de tristeza, de agonia. Era excesso de muito sentir.
Agora, só quero aprender a me descontrolar controladamente e ter excesso de paciência.
❤️ Se gostou, é só bater palmas ali do lado (de 1 a 50) ❤️
Para mais histórias, desabafos, pensamentos transformados em palavras, dá uma olhadinha no meu perfil aqui e no insta: Ariela Maier
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