Quando a torcida passa dos limites: Até onde vai a responsabilidade da CONMEBOL diante do racismo?
Libertadores e Sul-Americana acumulam casos de injúrias raciais sem punições eficazes por parte da entidade.
Quando a torcida passa dos limites: até onde vai a responsabilidade da CONMEBOL diante do racismo nos estádios?
Libertadores e Sul-Americana acumulam casos de injúrias raciais sem punições eficazes por parte da entidade.
Torcedor do Boca preso por injúria racial contra o Corinthians na Libertadores 2022 | Reprodução/Agência Brasil
Redator: Gustavo Rodrigues
Data de publicação: 08/06/2025
Apesar das campanhas publicitárias e dos discursos institucionais contra os demais preconceitos, o racismo segue presente nos estádios sul-americanos. Para entender por que a luta contra a discriminação ainda avança a passos lentos em competições como a Libertadores e Copa Sul-Americana, chefiados pela CONMEBOL, escutamos o depoimento de torcedores comuns e do advogado especialista em direito desportivo, Wanderson Rocha, para compreendermos esse cenário alarmante, que resultam em punições brandas.
Fonte do Problema: Racismo estrutural não tem fim
A cada nova denúncia de racismo nos estádios sul-americanos, um roteiro já conhecido se repete: ofensas racistas — quase sempre dirigidas a jogadores brasileiros — geram revolta nas redes sociais, seguidas por comunicados protocolares e, quando muito, por multas simbólicas que pouco ou nada inibem novos casos.
Esses episódios, no entanto, não surgem do nada. Eles são fruto de um racismo estrutural que ultrapassa as quatro linhas e molda comportamentos, instituições e discursos. No futebol, que muitos o apelidam de o “espelho da sociedade”, a estrutura se revela de forma escancarada: torcedores que se sentem à vontade para ofender, dirigentes que relativizam os ataques com respostas protocolares, árbitros que se omitem e entidades como a CONMEBOL que, na prática, pouco fazem para proteger os atletas.
Tanto os torcedores e os jogadores negros brasileiros são frequentemente alvos de sons imitando macacos, xingamentos e gestos racistas, vindos das arquibancadas ou até mesmo de adversários. Em vez de respostas firmes, o que se vê é a manutenção de um sistema que insiste em tratar o racismo como um desvio pontual de comportamento, e não como parte de uma engrenagem maior e muito mais cruel.
A lentidão nas ações e a brandura das punições revelam uma triste realidade: combater o racismo exige mais do que campanhas de marketing. Exige enfrentar uma estrutura historicamente excludente, que ainda hoje resiste em reconhecer a humanidade plena de quem tem a pele negra — dentro e fora dos gramados.
Para elucidarmos a situação, vamos trazer aqui três casos importantes de racismo envolvendo equipes brasileiras — Corinthians, Cruzeiro e Palmeiras — e de como foi todo o processo, desde o momento do crime, o desdobramento do caso e a sua conclusão.
CASO 1: Torcedor do Boca Juniors é detido na Neo Química Arena
FATO: Durante a partida entre Corinthians e Boca Juniors pela fase de grupos da Libertadores do dia 26/04/2022, um torcedor argentino foi flagrado imitando gestos de um macaco em direção à torcida corintiana. A atitude racista foi presenciada por diversos torcedores e rapidamente denunciada às autoridades presentes no estádio.
DESDOBRAMENTO: O torcedor foi imediatamente detido pela Polícia Militar dentro da Arena Corinthians, ainda durante o jogo, e conduzido à delegacia para registro do boletim de ocorrência. A atitude foi classificada como injúria racial. O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais e na imprensa brasileira e argentina. A Conmebol, entidade organizadora do torneio, se manifestou cobrando medidas dos clubes e das autoridades.
COMO TERMINOU: O torcedor argentino passou a noite detido e, no dia seguinte, pagou fiança para ser liberado. A Justiça brasileira permitiu seu retorno à Argentina. Em nota oficial, o Corinthians repudiou o ato racista, exigindo providências da Conmebol, que posteriormente multou o Boca Juniors em 100 mil dólares. A Conmebol também determinou a implementação de campanhas educativas contra o racismo durante a competição.
Confira a declaração do Corinthians:
O Sport Club Corinthians Paulista informa que o torcedor do Boca Juniors denunciado por torcedores do Corinthians por fazer gestos racistas à torcida do Timão — ele imitava um macaco no setor Sul da Neo Química Arena — foi detido e encaminhado ao Posto de Comando da PM do estádio.
Posteriormente, o torcedor foi conduzido para o Departamento De Operações Estratégicas da Polícia Civil, onde foi indiciado por injúria racial — artigo 140, parágrafo 3º do Código Penal.
O Corinthians repudia todo e qualquer ato de racismo e discriminação e agradece à Polícia Militar pela eficiência no apoio prestado. Esse fato só reforça a importância de nossa luta por um futebol sem ódio.
CASO 2: Torcedor argentino cometeu injúrias raciais e saiu impune no Mineirão
FATO: Durante a partida entre Cruzeiro e Lanús, válida pelo jogo de ida da Copa Sul-Americana no dia 23/10/2024, um torcedor do time argentino foi flagrado simulando o arremesso de bananas em direção à torcida cruzeirense. O ato, de conotação claramente racista, foi registrado em vídeo por outros torcedores e amplamente divulgado nas redes sociais, gerando revolta e repúdio imediato.
DESDOBRAMENTO: O torcedor argentino, ao ser abordado, admitiu ter feito o gesto e pediu desculpas, alegando arrependimento. Junto da confissão, ele foi detido pelas autoridades e foi conduzido ao Ginásio Mineirinho, onde a torcida do Cruzeiro foi detida. O Cruzeiro se posicionou oficialmente após o jogo, exigindo providências por parte da Conmebol e das autoridades locais.
COMO TERMINOU: O caso foi relatado pela diretoria do Cruzeiro à Conmebol, que abriu investigação. Até o momento, o Lanús não foi punido, mas o torcedor sofreu sanções legais no Brasil, e pagou sua fiança de R$1.500. A Conmebol afirmou que aguarda o andamento das investigações antes de aplicar qualquer medida.
Confira o “mini boletim” explicando sobre a prisão do torcedor argentino após os atos racistas: *TORCEDOR DO LANÚS É PRESO POR RACISMO EM JOGO CONTRA O CRUZEIRO*
CASO 3: Torcedores do Cerro Porteño cospem, xingam e humilham Luighi Hanri Souza Santos
FATO: Durante a semifinal da Copa Libertadores Sub-20 entre Palmeiras e Cerro Porteño do dia 06/03/2025, o atacante Luighi, do time brasileiro, foi alvo de ataques racistas por parte de torcedores paraguaios. O jogador sofreu cusparadas, foi xingado e humilhado nas arquibancadas após ter sido substituído no segundo tempo da partida. Os atos foram registrados por câmeras e testemunhas no estádio. Na entrevista pós-jogo, o Luighi ficou extremamente desolado e revoltado pela situação, chorando no processo.
DESDOBRAMENTO: O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais, com diversos atletas, jornalistas e torcedores prestando apoio ao jogador. O Palmeiras se manifestou de forma oficial, repudiando com veemência o episódio e exigindo providências da Conmebol. A diretoria do clube classificou a atitude como inaceitável e prestou solidariedade pública ao atleta da base.
COMO TERMINOU: A Conmebol informou que abriu investigação para apurar os fatos, mas até o momento não aplicou punições ao Cerro Porteño nem identificou os autores dos ataques. Luighi seguiu com a delegação e recebeu apoio psicológico e institucional do Palmeiras. O clube paulista também reiterou seu compromisso com o combate ao racismo no futebol sul-americano.
Confira a reação da joia palmeirense: *LUIGHI DESABAFA SOBRE INSULTOS RACISTAS SOFRIDOS NA LIBERTADORES SUB-20*
Declaração do clube:
A Sociedade Esportiva **Palmeiras** discorda com veemência das punições extremamente brandas aplicadas pela CONMEBOL ao Cerro Porteño-PAR em razão dos ataques racistas sofridos por nossos atletas em jogo disputado pela Libertadores Sub-20, na quinta-feira (6), em Assunção, no Paraguai.
Com exceção da medida educativa adotada (campanha antirracista nas redes sociais do clube infrator), tratam-se de penas inócuas diante da gravidade dos fatos ocorridos e, portanto, insuficientes para combater os reiterados casos de discriminação racial no futebol sul-americano.
As sanções ao Cerro Porteño, em vez de servirem ao propósito de coibir um problema seríssimo, na prática demonstram a conivência das entidades com um crime que vem se repetindo incessantemente, bem como a falência de um sistema penal incapaz de punir com o rigor necessário os crimes de racismo cometidos dentro de campo e nas arquibancadas.
O Palmeiras reitera que acionará as entidades máximas do futebol mundial e levará o episódio às últimas instâncias para que o futebol sul-americano possa, enfim, tornar-se um ambiente de tolerância zero ao racismo.
As lágrimas do atacante Luighi não serão em vão!
Agora que mostramos todos os casos, podemos perceber que todos têm algo em comum:
Em praticamente todas as situações de racismo ocorridas em estádios, durante partidas organizadas pela CONMEBOL, a resposta institucional foi a mesma: punições brandas e multas financeiras. O agressor — seja um torcedor, dirigente ou até mesmo um atleta — paga o valor estipulado e está livre para voltar aos estádios, como se nada tivesse acontecido. Não há impedimento real de acesso, não há reeducação, tampouco um esforço para conscientizar sobre a gravidade do ato cometido.
Com isso, cria-se um ciclo preocupante: a punição virá apenas de uma formalidade administrativa. A ausência de medidas educativas ou restritivas mais contundentes faz com que o racismo siga sendo tratado como uma infração leve, e não como crime e a violência que realmente é. O agressor não é confrontado com a seriedade do seu ato, apenas com o valor da multa. E, ao fim, continua frequentando os estádios, podendo repetir as ofensas sem grandes consequências.
Essa lógica punitiva limitada, baseada apenas em sanções financeiras, falha em provocar qualquer transformação no comportamento. Sem uma resposta firme e pedagógica, o combate ao racismo no futebol sul-americano segue superficial — atinge o bolso, mas não a consciência.
Opinião Pública: Como os torcedores veem o racismo com atletas e sua própria torcida nas competições da CONMEBOL?
Apesar das campanhas publicitárias e dos posicionamentos institucionais, o racismo ainda é presença constante nos estádios sul-americanos. Episódios de discriminação racial, frequentemente direcionados a atletas e torcedores brasileiros seguem sendo tratados com punições leves, como multas simbólicas e advertências protocolares. Para entender como os torcedores enxergam essa realidade e a responsabilidade das instituições esportivas, conversamos com João Rodrigues, corretor de imóveis e torcedor do São Paulo, que deu sua opinião sobre o racismo no futebol e a postura da CONMEBOL diante dos casos.
Na sua opinião, qual deve ser o papel do seu clube na luta contra o racismo dentro e fora dos estádios?
“O São Paulo, como clube gigante que é, tem obrigação de ir além das campanhas publicitárias. Precisa se posicionar de forma firme, cobrar punições e não aceitar jogar em estádios onde o racismo é recorrente”, disse João.
Você acredita que as torcidas organizadas podem ajudar no combate ao racismo? Como isso poderia ser feito?
“As torcidas organizadas têm um poder enorme dentro dos clubes. Se elas se mobilizassem contra o racismo com a mesma força que fazem festas, o impacto seria gigante. Falta iniciativa e consciência”, explicou ele.
Que tipo de punição você acha mais eficaz para casos de racismo nas arquibancadas: multas, perda de pontos, estádios fechados ou outra medida? Por quê?
“A multa não dói o suficiente. A única forma de fazer os clubes levarem a sério é mexendo onde mais incomoda: ou fecha o estádio ou tira ponto. Aí eles vão começar a se preocupar com o comportamento da torcida”, disse.
O que você pensa da forma como a CONMEBOL lida com os casos de racismo nas competições sul-americanas?
“O que mais me revolta é ver a CONMEBOL tratar o racismo como se fosse um problema secundário. Pagar uma multa e seguir como se nada tivesse acontecido é um absurdo”, respondeu ele.
Dados relevantes: Entenda os números que percorrem no caso e como as pessoas lidam com isso!
Para elucidar toda essa situação preconceituosa que nasce na sociedade e transborda para dentro dos estádios, buscamos dados relevantes no Observatório da Discriminação Racial no Futebol — entidade que há anos monitora episódios de racismo no esporte. Além disso, produzimos dois gráficos que ajudam a entender como o público enxerga as ações da CONMEBOL diante desses casos.
No primeiro, perguntamos às pessoas se elas consideram justa a forma como a CONMEBOL pune os envolvidos em atos racistas nas competições sul-americanas. Já no segundo, investigamos se há confiança na Task Force Antirracismo, iniciativa lançada recentemente pela entidade e que tem como um de seus líderes o ex-jogador Ronaldo Fenômeno. A proposta da força-tarefa é combater o racismo no futebol do continente — mas será que a população acredita que ela será eficaz? Esses dados ajudam a ilustrar o sentimento de desconfiança e a urgência por mudanças mais profundas no combate ao preconceito nos gramados.
De acordo com dados do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, entre 2019 e 2024, mais de 70 casos de racismo foram registrados em partidas envolvendo clubes brasileiros em competições sul-americanas. Apesar da gravidade dos episódios, a resposta institucional segue tímida: apenas uma pequena parcela desses casos resultou em punições por parte da CONMEBOL — e, quando aplicadas, as sanções costumam ser brandas, limitando-se a multas financeiras simbólicas ou advertências formais. Um exemplo emblemático ocorreu em 2022, quando torcedores do Universidad Católica, do Chile, foram flagrados fazendo gestos racistas contra jogadores do Flamengo. A punição imposta foi uma multa de aproximadamente 30 mil dólares, sem qualquer perda de mando de campo.
O cenário revela uma tendência crescente e preocupante no número de denúncias de racismo nas competições organizadas pela CONMEBOL. Veja a seguir a evolução dos casos registrados nos últimos anos:
- 2014 a 2021: 39 casos de racismo foram registrados em competições sul-americanas;
- 2022: 12 denúncias foram contabilizadas, incluindo episódios com torcedores fazendo gestos e cânticos discriminatórios;
- 2023: o número subiu para 18 denúncias, um aumento de 50% em relação ao ano anterior;
- 2024: até o momento, ainda não há dados oficiais divulgados sobre o número total de casos.
Abaixo temos um gráfico mostrando a opinião das pessoas referentes o quanto as pessoas estão satisfeitas com as punições da CONMEBOL envolvendo os casos de racismo:
Já neste segundo gráfico, temos uma porcentagem referente a opinião das pessoas quanto a criação da Task Force e se ela conseguirá ajudar na diminuição dos casos de injúrias raciais nos estádios:
Opinião Jurídica: A CONMEBOL está de fato fazendo tudo que pode pela causa anti-racista?
Agora que analisamos os dados e ouvimos diferentes perspectivas sobre o combate ao racismo no esporte, conversamos com o advogado especializado em direito esportivo, Wanderson Rocha. Ele compartilhou sua visão sobre os casos de racismo no futebol sul-americano e avaliou a importância das medidas que vêm sendo adotadas pelas entidades responsáveis.
Wanderson Rocha explicou como as regras da FIFA e da CONMEBOL garantem a punição de atos de racismo mesmo em nações onde ainda não há leis específicas sobre o tema, como o Paraguai. Segundo ele, o futebol tem mecanismos próprios para punir clubes e atletas, reforçando o compromisso da modalidade com o combate à discriminação.
“No sistema do futebol, existem normas internas que, muitas vezes, se mostram mais eficazes do que as leis dos próprios países. Atualmente, o futebol é gerido pela FIFA, que é a entidade máxima da modalidade no mundo. Todos os seus filiados devem seguir as diretrizes estabelecidas por ela. Mesmo em países onde não há uma legislação específica contra o racismo — como é o caso do Paraguai e de outros — , as normas da FIFA, da CONMEBOL, das confederações nacionais e das federações regionais prevalecem dentro do universo do futebol”, disse ele.
“Se houver um regulamento prevendo punições para clubes e jogadores por determinadas atitudes, ainda que essas condutas não sejam tipificadas como crime no país, o futebol impõe sanções. Ou seja, não se pode dizer que a lei da FIFA se sobrepõe à legislação nacional, mas, no âmbito esportivo, ela tem o poder de punir disciplinarmente o infrator. Além disso, é importante destacar a dimensão da FIFA, que hoje conta com mais países filiados do que a própria ONU — o que demonstra sua força e influência global. Assim, se um ato racista ocorre durante uma partida no Paraguai, por exemplo, mesmo sem uma lei nacional que o criminalize, o responsável poderá ser punido esportivamente. Claro que uma punição penal, como a prisão, depende da legislação do país, respeitando sua soberania. No entanto, do ponto de vista esportivo, a punição será aplicada”, explicou Wanderson.
Partindo para a segunda pergunta, diante dos recorrentes casos de racismo no futebol sul-americano, o advogado especialista em direito esportivo, Wanderson Rocha, reforçou a importância de medidas mais firmes e efetivas no combate à discriminação, além de ter destacado a relevância das ações da CONMEBOL, que defendem punições esportivas como a perda de pontos e enfatiza que a conscientização e a educação desde a base são fundamentais para mudar a cultura dentro e fora dos estádios.
“Toda iniciativa voltada à conscientização de que o racismo é crime é válida. Não cabe mais aquele discurso de que “está ficando chato”. Isso ficou no passado — agora, é intolerável. Por isso, toda ação que venha para combater o racismo é bem-vinda. Essa iniciativa da CONMEBOL, em especial, é muito importante. Sabemos que o futebol sul-americano é forte, tem grande impacto, e infelizmente ainda registra muitos casos de racismo. Por isso, essa medida precisa ser levada a sério, implementada de fato, e a gente espera que traga resultados positivos. Eu vejo como um marco, sim — um marco importante — e torço para que seja realmente efetiva”, explicou ele.
“Toda medida é bem-vinda, mas ainda considero pouco. Precisamos de ações mais efetivas e rigorosas, porque o racismo é um crime e deve ser tratado como tal. A multa é importante, sim, mas não pode ser a única medida. A perda de pontos, por exemplo, é fundamental, porque afeta diretamente o desempenho esportivo do clube. Quando o clube perde pontos, isso impacta financeiramente, na classificação e também na sua imagem. Por isso, acredito que essa punição precisa ser aplicada com mais frequência e mais rigor”, detalhou.
“Além disso, é essencial investir em medidas educativas e de conscientização. Precisamos trabalhar desde a base, com crianças e jovens, para que cresçam com a compreensão de que o racismo não é tolerado e é, sim, um crime. Ou seja, é um conjunto de ações: punição financeira, punição esportiva e, principalmente, educação e conscientização”, finalizou ele.
Se quiser ver a entrevista completa, clique aqui!
O que podemos aprender com tudo isso?
Enquanto a CONMEBOL segue aplicando punições que se mostram insuficientes diante da gravidade dos atos racistas, perpetua-se um ciclo vicioso desolador nos estádios sul-americanos: a violência se repete, os agressores permanecem impunes ou são minimamente penalizados, e o futebol — que deveria ser um espaço de celebração e união — continua sendo palco de manifestações de ódio e exclusão.
Nesse cenário de desesperança e impunidade, a recente criação da Task Force contra o racismo, encabeçada por figuras de peso como Ronaldo Fenômeno, surge como uma potencial luz. Essa iniciativa pode representar um passo importante se resultar em ações concretas e rigorosas. Contudo, é fundamental reconhecer que a mudança real e duradoura não pode se restringir às quatro linhas ou aos escritórios das confederações. O combate efetivo ao racismo exige um mergulho profundo nas raízes do problema.
É urgente que as entidades esportivas abandonem a abordagem superficial e tratem o racismo com a seriedade que ele demanda. O combate precisa ser implacável, com ações contundentes e punições exemplares direcionadas a quem comete esses crimes, indo muito além de multas simbólicas ou campanhas genéricas. A identificação e a responsabilização efetiva dos agressores são passos indispensáveis.
No entanto, a solução definitiva não reside apenas nas arquibancadas ou nas instituições esportivas. O racismo é uma chaga estrutural, profundamente enraizada nas bases da nossa sociedade. Para transformar verdadeiramente este cenário lamentável, é preciso ir além do futebol — é preciso evoluir como humanidade, questionando e desmantelando as estruturas que perpetuam a discriminação.
Que a justiça, quando aplicada com rigor, empatia e sem hesitação, possa ser o catalisador dessa transformação necessária. Porque enquanto houver espaço para o ódio, não haverá jogo limpo, tampouco haverá dignidade. E, parafraseando um antigo dito com triste atualidade, enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, haverá guerra — uma guerra contínua contra o racismo no esporte e em cada canto da sociedade.
메타데이터
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