Incontáveis Histórias
Por aqueles que bravamente se foram, por aqueles que bravamente ficaram e que sempre serão lembrados por suas incontáveis histórias
Incontáveis Histórias
Por aqueles que bravamente ficaram,
por aqueles que bravamente se foram
E que sempre serão lembrados.
Em um tempo em que o próprio tempo não contava suas histórias Iacã nasceu. Do sopro dos fatos que ansiava passar e do respiro dos casos que gostariam de ser lembrados, ela desceu a terra para dar a graça do tempo a todos os seres.
No momento da criação sua missão era liderar os passados e presentes, lembrando de cada momento que foi e que é, mas não os que serão. E por não saber aquilo que será nunca soube lidar com o grande som.
O grande som ecoava por todos os cantos de um vasto universo mesmo antes dela existir. Em sua singularidade, Iacã sabia que o grande som não era como ela, mas não o entendia como algo diferente.
Em certa luz do sol, Iacã subiu até a copa grande da árvore dos ecos, local que o grande som descansava em suas passagens pela terra, para ver se ele estava a vir e o esperou chegar para demonstrar sua nova criação, o dia e a noite.
Ao chegar, ele foi surpreendido por um leve incômodo ao se deitar na copa, pois não a viu, deitou-se sobre a cabeça dela e admirou o passar dos dias. Por 6 dias e 6 noites, Iacã ficou em baixo das costas do grande som, sem se mexer ou conversar, até que decidiu perfura-lo com um galho da árvore para chamar sua atenção.
Irritado com a atitude, ele chamou algo do serão, uma grande bola de fogo que iria por fim às criações dela. O grande som a prendeu com folhas e vinhas da grande árvore para que ela assistisse e lembrasse de sua criação definhando.
Triste e desolada, a dama no tempo começou a trabalhar novamente em uma nova forma de dar vida ao planeta, mas por tudo que aconteceu ela não se empenhou dessa vez. Fez criaturas frágeis e pequenas, que não seriam lembradas por muito mais tempo. Após vários sois e luas, ela começou a esquecer do que havia feito no passado, se encolheu e tornou-se um espelho de sua criação, algo que seria facilmente esquecido. A beira do esquecimento ela foi encontrada por criaturas que um dia a chamaram de criadora, mas eles não a louvavam, pois a esqueceram. Ainda mais triste, percebendo que sua criação não a lembraria após partir, ela deixou um último presente para aqueles que a encontraram, a “história a contar”.
Mas não, a “história a contar” não poderia ser contada, mas sim registrada, ela deu às suas criaturas a lembrança, mas apenas para aquilo que fosse contado aos que serão, pois apenas assim poderia, um dia, novamente abraçá-los.
메타데이터
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