Explorando o Reserva Cultural
Por Ana Luisa Hardt, Caio Rocha, Clara Rede, Isabella Vetrano e Vitor Mansani, alunos do JOS1C
Explorando o Reserva Cultural
Por Ana Luisa Hardt, Caio Rocha, Clara Rede, Isabella Vetrano e Vitor Mansani, alunos do JOS1C
A venida Paulista, 900. Um dos pontos mais emblemáticos do mais emblemático cartão-postal da capital do estado, o Edifício Gazeta não deixa de fascinar mesmo depois de quase sessenta anos de sua inauguração oficial, em 1966. O lar da Fundação Cásper Líbero é, para além de um antro televisivo, jornalístico e profissional, um centro cultural.
Hoje, tanto no espírito quanto no nome. Em 2005, o edifício também se tornou lar do Reserva Cultural. Bem abaixo das escadarias tão icônicas, o complexo ganha vida na forma de um cinema, uma livraria, um bistrô e um café-boulangerie. A idealização do francês Jean-Thomas Bernardini é muito mais do que apenas um cinema de rua: é a revitalização de um espaço que, nos anos 70, marcou tantos paulistanos.
O Cine Gazeta foi o primeiro cinema do complexo, inaugurado em 1966 e localizado onde agora se encontra um teatro de mesmo nome. Um ano depois, no dia 24 de maio, o Cine Gazetinha abriu as portas com a exibição do filme francês Um Homem… Uma Mulher, de Claude Lelouch. Trinta e oito anos depois, o mesmo espaço se tornaria lar do Reserva Cultural. Inaugurado posteriormente, em 1970, houve também o Cine Gazetão, já desativado.

Anúncio de inauguração do Cine Gazeta — 21/5/1966. Foto: reprodução do livro “Salas de Cinema em São Paulo”.

Anúncio de inauguração do Cine Gazetinha — 24/5/1967. Foto: Salas de Cinema em São Paulo.
Mas o crescimento da cidade fortaleceu os cinemas de blockbusters em shoppings. Espaços com acervo mais independente, como os três cinemas do complexo, nadaram forte para sobreviver às mudanças, apenas para morrerem na praia algum tempo depois. É aí que, em 1999, o Cine Gazetinha fecha as portas de vez.
Ao menos era o que muitos pensavam. Isso porque, em 2004, o espaço viu uma luz no fim do túnel com a parceria formada entre Paulo Camarda, então presidente da Fundação Cásper Líbero, e Jean-Thomas Bernardini, fundador da distribuidora de filmes Imovision, cargo que ainda ocupava em 2024.
Com um orçamento inicial de 2 milhões de reais, ganhava vida, em junho de 2005, o Reserva Cultural. Ainda mais do que seus antecessores, o complexo faz jus a seu segundo nome ao trazer uma série de espaços de entretenimento para além das exibições cinematográficas, que continuam sendo seu carro-chefe. É possível saborear um almoço caprichado, tomar um café quentinho, assistir a um filme exclusivo e passear por estantes de livros. Tudo no mesmo lugar.
Com uma seleção de obras independentes e alternativas, o cinema chega ao seu décimo-nono ano de funcionamento com uma coletânea de clientes fiéis e fama que ultrapassa a avenida.
O protagonista por trás do Reserva
Comandando esse caso de sucesso há quase vinte anos, Jean-Thomas Bernardini tem uma história digna de filme, cheia de acasos e reviravoltas. O proprietário do espaço nasceu no final da década de 1940 em Aix-en-Provence, uma pequena cidade do sul da França, e logo aos 10 anos teve seus primeiros contatos com o cinema francês, que na época florescia com o movimento da Nouvelle Vague.
Além do cinema, também se apaixonou pelo futebol. Jogou pelo Olympique Marseille quando jovem até ter uma grave lesão de joelho, que o fez passar por cirurgias e muita fisioterapia para conseguir voltar a andar. Por isso, teve que abandonar precocemente o sonho de ser jogador. Ele então se dedicou à faculdade de psicologia e aos negócios, chegando inclusive a trabalhar em uma brasserie, tipo de restaurante característico da cidade onde morava.
Em uma viagem de férias para Búzios no final dos anos 1970, Jean encontrou a oportunidade de empreender com uma confecção da McKeen, marca francesa de jeans. Resolveu então se fixar no país de que tanto gostou. Trabalhou com isso por uma década, até que um amigo francês da área cinematográfica buscou sua ajuda na distribuição de seu novo filme.
Jean abriu uma distribuidora para receber os materiais do filme de seu amigo, mas não tinha a pretensão de continuar no negócio. Esse amigo veio ao Brasil, e ficaram juntos algumas semanas para entender o processo de cópias de filmes 35 milímetros em laboratório.
O filme foi tão bem-sucedido no Brasil que outros produtores buscaram a ajuda de Jean para distribuir seus filmes. Incentivado também por órgãos governamentais estrangeiros, Jean não teria despesas além do marketing, então resolveu tentar uma distribuição inicial de três filmes que adorava. Orgulhoso, conta o final dessa história com simplicidade: “Deu certo, e agora já lancei 500 filmes”. Nascia assim, em 1989, a distribuidora Imovision, que estabeleceu o cinema como a vocação mais longeva do francês, após as empreitadas no futebol e na moda.

Jean-Thomas Bernardini em uma tarde de quarta-feira na boulangerie do Reserva Cultural. Foto: Caio Rocha
Depois de quinze anos trabalhando com distribuição de filmes em São Paulo, Jean percebeu que os cinemas de rua estavam perdendo muito espaço para as grandes redes de shopping centers, que tinham uma estrutura maior e atraíam os clientes com estacionamento e praça de alimentação. Como consequência disso, os filmes comerciais tomavam cada vez mais o espaço de filmes independentes e estrangeiros. Foi assim que Jean se desafiou a assumir o papel de exibidor, e começou a procurar um espaço capaz de abrigar uma sala de cinema e atrativos ao público que buscava outras opções de filmes além das grandes produções hollywoodianas.
Antigo frequentador do Cine Gazetinha, Jean entrou em contato com a Fundação Cásper Líbero. Conseguiu aprovar um dossiê com a diretoria, propondo assumir o espaço com quatro salas de cinema, um restaurante francês, uma boulangerie, uma sala de arte e um bar. Contou, ainda, com a estrutura do próprio edifício, que oferecia estacionamento, como nos shoppings.
Nas mãos de Jean, o antigo Cine Gazetinha se tornou o Reserva Cultural, que ganhou repercussão logo de cara por ser o primeiro cinema a ter em sua estrutura um restaurante francês que atendesse o público espectador. Além disso, também foi reconhecido por ser pioneiro em não oferecer pipoca aos espectadores. Decisão inusitada que tomou a partir dos resultados de uma pesquisa de mercado encomendada meses antes da abertura do complexo.
A programação dos filmes é feita a “seis mãos”, capitaneada até maio de 2024 pela francesa Laure Bacqué, que junto a Jean e mais um membro da equipe do Reserva assistem a filmes em primeira mão em festivais pelo mundo. Também recebem roteiros, primeiros e últimos cortes de produções internacionais. Jean ressalta que a Imovision não interfere de maneira nenhuma nos filmes em cartaz: o Reserva exibe filmes de outras distribuidoras, assim como outros cinemas também exibem filmes da Imovision. Segundo o empresário francês, o que impera nessa seleção é a qualidade de cada obra e o gosto do cliente, estimado pela bilheteria nas semanas iniciais de cada filme em cartaz.
Os festivais são parte essencial para a definição da programação, por isso Jean conta que é convidado para mais de dez por ano, mas consegue estar presente, mesmo, em apenas quatro ou cinco. Como os de Cannes, Veneza e Berlim, por exemplo, onde vai como representante da Imovision, mas consegue assistir a grandes lançamentos e manter contatos que possibilitam ao Reserva ter os filmes em cartaz sempre atualizados e ainda sediar alguns eventos especiais de pré-estreia.
Marcaram a história do Reserva Cultural alguns eventos como o lançamento do filme Azul É a Cor Mais Quente, de 2013, com a presença das “meninas” protagonistas do filme, Léa Seydoux e Adéle Exarchopoulos. O público chegou com presentes, como chocolates e flores, conforme conta Jean, o que não é habitual em pré-estreias. Como resultado, a equipe do filme ficou muito entusiasmada com o Brasil. Ele também destaca que já passaram pelo Reserva grandes diretores contemporâneos como Francis Ford Coppola e Quentin Tarantino. Este último veio para a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.
Jean e a equipe do filme “Azul É A Cor Mais Quente” (2013). Foto: www.reservacultural.com.br
Além dos dias de glória do Reserva, Jean relembra os dias de luta ao longo da pandemia, quando teve o público reduzido a 20% da sua capacidade, e por conta disso teve que reduzir o quadro de funcionários. Mesmo após a retomada das atividades, a presença de público atualmente ainda está na metade do que era antes. Agora, há uma presença maior de jovens, que se misturam ao público antigo de faixa etária mais alta.
Por fim, Jean conta que trabalhar com cinema foi algo natural para ele, que quando criança não se considerava cinéfilo, só “via, via, via” os filmes do cinema de sua cidade. Quando esse tipo de filme passou a ser parte de sua vida profissional, de alguma forma se tornou referência em um assunto que sempre teve prazer em dominar. Perguntado sobre seus filmes preferidos, Jean lembra de dois especiais: Pulp Fiction, de Quentin Tarantino, e Cidade de Deus, de Fernando Meirelles. Segundo ele, “quando saio emocionado por algum motivo, aí o filme é bom”.
O Reserva além do cinema
Mas não é só cinema que corre nas veias do Reserva. O ambiente ainda conta com uma livraria, um bistrô e um ambiente intimista e agradável para uma boa conversa.
Vitor Daneu, responsável pela livraria há dois anos e três meses, conta que o Reserva sempre contou com um espaço focado na literatura. A gestão anterior foi forçada a sair por causa da pandemia. Vitor, que, depois de cinco anos trabalhando em editoras diversas, sentiu vontade de abrir uma livraria, foi surpreendido com a disponibilidade do local. Resolveu, então, aceitar o desafio, e o fato de já ser frequentador do cinema foi um motivador importante para a decisão:
“Durante a crise sociossanitária da covid-19, um dos lugares que eu mais queria estar quando as coisas arrefessesem e fosse possível era aqui no Reserva” .
A livraria escolhe apresentar um catálogo diverso de ficção e não ficção. Vitor ressalta que há certo cuidado em escolher livros que acompanhem as temáticas dos longa-metragens exibidos, mas que não segue esses requisitos muito à risca, já que é difícil acompanhar tantas mudanças dos filmes em cartaz.
E não são apenas livros novos que decoram as prateleiras da livraria. Também é possível escolher edições usadas e seminovas, resultantes de uma parceria com o Sebo Tucambira, em Pinheiros. Os apreciadores de filmes também se surpreendem com a seleção de DVDs e fitas.
Os frequentadores do Reserva também costumam fazer uma parada obrigatória no bistrô do local. A culinária francesa característica do restaurante é influência direta de Jean — o que deu resultado. A equipe do restaurante conta com dois garçons, um cumim (assistente de cozinha) e um maitre.
Safyry Zanovelli, garçonete do Bistrô, explica que a lógica da equipe é a de “substituir o atender por acolher”. Para além de uma relação comercial, os funcionários do restaurante buscam criar uma experiência diferenciada para quem o frequenta. Os vários casos de clientes recorrentes narrados pela garçonete são a prova de que essa técnica funciona.
Livraria e Bistrô, somados ao cinema, garantem que uma série de eventos tome forma no espaço. Degustação de vinhos, pré-estreias de filmes, rodas de leitura — é tudo feito com um só intuito: manter vivo o espírito cultural do Reserva.
O Reserva Cultural segundo os clientes
Essa missão não poderia ser cumprida se não fosse pelos cinéfilos, os entusiastas da arte, os frequentadores ocasionais de cinemas e até mesmo aqueles que só estão de passagem e pensam “por que não?”. Os clientes.
O público do Reserva Cultural também passou por transformações ao longo dos anos. Antes da pandemia, o espaço era frequentado majoritariamente por cinéfilos maduros e intelectuais, aficionados por filmes de arte. Com o tempo e com as mudanças no cenário cultural, especialmente após a pandemia, o perfil do público se diversificou. Agora, o espaço também conta com uma audiência mais jovem, ainda que não tenha perdido o público de mais idade.
Outra mudança também marca o público que frequenta o espaço: o fator financeiro. Pesquisas realizadas pela equipe do Reserva antes da pandemia colocam os clientes majoritários como pessoas de alto poder aquisitivo (acima de três salários mínimos). A pandemia também interferiu nessa questão. Houve uma mudança positiva, como destaca Safyry, garçonete do Bistrô: agora, é mais comum observar pessoas de renda mais baixa no local.
“Existe um Reserva antes da pandemia e existe um Reserva depois da pandemia” — Safyry Zanovelli
A covid-19 deixou outras marcas. Houve redução do staff, do cardápio, queda no movimento e perda de clientes importantes. Os trabalhadores do escritório da Petrobrás, que antes costumavam lotar o lugar no almoço, sumiram. A adoção do home office e do trabalho híbrido, sem mencionar vários negócios fechando as portas ou trocas de localização de empresas físicas, foram as responsáveis por tais mudanças.
A tecnologia foi outra área de adaptação significativa. No início, todas as projeções eram analógicas, feitas com rolos de filme. Hoje, a digitalização tomou conta das projeções, e a Imovision até lançou uma plataforma de streaming, tornando os filmes acessíveis para aqueles que preferem assistir em casa. Esta inovação foi uma das respostas do empresário Jean às mudanças e desafios trazidos pela pandemia, que também impôs uma reconfiguração do espaço físico, como a porta de vidro que, antes, permitia duplo acesso ao local, mas que atualmente permanece fechada, para controlar o fluxo e garantir a segurança de todos.
Durante os dias úteis, o movimento é moderado, atendendo principalmente aos funcionários dos escritórios da região, enquanto o jantar atrai aqueles que saem das sessões. Nos finais de semana, o ambiente costuma encher.
Gisele, de 45 anos, é cliente assídua de cinemas e teatros. Mais do que isso: apesar de declarar ser frequentadora de shoppings, inclusive de seus cinemas, é cliente fiel do Reserva. A farmacêutica explica o porquê de toda essa fidelidade: “Já conheço o pessoal. Já tem aquela amizade. É mais aconchegante”.
Rafael, de 56 anos, exalta o catálogo como motivador principal de suas visitas frequentes ao Reserva. Apesar de morar longe, afirma gostar da localização. Como grande entusiasta das artes, frequenta o cinema quatro vezes por mês, em média, mas também tem o costume de comer no bistrô.
No Reserva, cinema não é só cinema. É gastronomia, é literatura. E os clientes entendem bem isso.
Os bastidores do Reserva Cultural
Não são só os clientes e o dono do espaço que respiram arte. O Reserva ainda conta com uma equipe de funcionários que amam o que fazem, cada um ao seu modo.
Nicolas Cury, projecionista da sede de São Paulo, está no Reserva Cultural desde 2010. Antes de entrar para o time, trabalhou na manutenção de shoppings, o que lhe rendeu uma oportunidade na rede Cine Araújo, onde começou a se envolver com o mundo cinematográfico. Hoje, faz parte de uma equipe de trinta funcionários — vinte que atuam diretamente no cinema e os demais na área gastronômica.
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Um dos eventos mais marcantes para Nicolas foi a comemoração dos trinta anos da Imovision, em 2019. “Um momento único e especial, com vários atores famosos e inúmeras pré-estreias na mesma semana”, relembra. Para ele, aquele evento se tornou uma memória nostálgica, pois destacou o espaço como um epicentro cultural vibrante e dinâmico:
“Diferente dos cinemas de shopping, aqui o público assiste aos créditos, então mantemos as luzes desligadas até o último momento” .
Safyry Zanovelli, garçonete do Bistrô, já havia trabalhado no Reserva antes da pandemia, e chegou a passar por todas as áreas do complexo. Em 2022, depois de outros quatro meses como freelancer, começou como contratada do espaço, agora no salão do restaurante.
Durante essa jornada, Safyry vivenciou um momento em específico que foi bem marcante: uma parceria com a Netflix em 2019, que resultou no fechamento do complexo para a estreia da nova temporada da série brasileira 3%. Um evento que trouxe grande repercussão e atraiu novos públicos.
A relação entre os funcionários é caracterizada por um forte senso de camaradagem. “A gente faz amizade com todo mundo aqui dentro”, diz Safyry, que chega ao trabalho às 11h40 e sai às 22 horas, contando com duas horas de almoço.
Apesar dos funcionários poderem assistir aos filmes em seus dias de folga sem pagar, Safyry admite que não gosta de visitar o local de trabalho em dias de descanso. Além disso, prefere levar seus filhos a cinemas que oferecem uma programação mais direcionada ao público infantil, com opções dubladas. A garçonete, por conta da rotina corrida, normalmente frequenta o cinema apenas uma vez por mês.
Quando questionada sobre os melhores pratos do Bistrô, Safyry não hesita em recomendar o duo de salmão grelhado no fundo de panela, defumado com creme de leite e finalizado com limão siciliano.
Dentre tantas histórias, um nome se destaca entre os corredores do cinema: Madruguinha. Com um apelido que já virou nome para Jorge Luiz, o funcionário mais antigo do espaço, que está lá desde sua abertura, dezoito anos atrás. Agora, ele e o Reserva são quase sinônimos.
Antes disso, Madruguinha construiu uma carreira diversificada. Iniciou na área da moda, onde desenvolveu um olhar apurado para detalhes estéticos. Migrou, então, para o mundo do cinema publicitário, onde atuou como figurinista, tanto para filmes quanto para peças de teatro e séries. Foi nesse contexto que conheceu Jean-Thomas. A relação de longa data dos dois foi o que motivou Madruguinha a se juntar ao novo projeto:
“A gente viu realmente o Reserva nascer”.
Madruguinha relembra as reuniões realizadas no meio das obras iniciais do complexo. Começou como porteiro, tornou-se programador visual e, com o tempo, chegou ao cargo atual na área de assessoria ao cliente. Sua paixão pelo cinema, que nasceu logo na infância, encontrou um lar no Reserva, onde ele não só trabalha, mas vive o universo da sétima arte diariamente. “Sim, claro, eu assisto praticamente todos os filmes,” afirma, destacando a importância de estar sempre atualizado para discutir, trocar ideias e indicar filmes aos clientes.

Jorge Luiz, o Madruguinha. Foto: Caio Rocha
A história de Madruguinha no Reserva Cultural é um testemunho de dedicação e paixão pelo cinema. Sua jornada reflete a evolução do próprio espaço, que se adaptou às mudanças tecnológicas e de público ao longo dos anos. Da programação visual até a interação com os clientes, ele deixa sua marca em cada detalhe, mantendo viva a essência de um dos espaços culturais mais icônicos de São Paulo.
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- 2026-07-23 13:02:11