← Back to list

O Latim. As línguas românicas ou novi-latinas.

Por José Landislau Peter

Gabriel Roriz · 2024-12-18 03:38 · 0 claps · 3.4 min read
#latim #linguistica #variação-linguística
Open on Medium ↗
Wiki topics: LNG · Linguistics & Language

O Latim. As línguas românicas ou novi-latinas.

Por José Landislau Peter

Segundo Hovelacque, há paridade entre o poligenismo das raças humanas e o poligenismo linguístico. Apareceram, pois, à superfície da terra, várias raças e várias línguas (poligenismo) e não um só par bíblico que deu origem a todas as raças, nem uma só língua, que deu origem às línguas flexivas (monogenismo).

Segundo a doutrina do monogenismo das famílias linguísticas, as línguas flexivas têm, como tronco robusto, o sânscrito, falado pelos árias no planalto central da Ásia. Como a raça jafética, ariana ou indo-européia emigrou para a Europa, encontramos lá vários ramos dêsse tronco robusto, como o céltico, o grego, o itálico (cujo ramo principal era o latim), o eslavo, o germânico e o lético.

No ramo itálico, a língua principal era o latim.

Do latim derivam as línguas novi-latinas ou românicas: português, castelhano (ou espanhol), francês, italiano, romeno (ou valáquio), catalão, rético (ou ladino, ou romanche), provençal, sardo (da Sardenha) e dalmático (da Dalmácia).

Houve o latim de ouro ou sermo eruditus da época de Augusto; é o latim de Cícero, Horácio, Vergílio e outros.

Depois, o latim foi-se abastardando com a decadência lenta do povo romano; daí as designações curiosas, que alguns latinistas deram ao latim: — latim de ouro, de prata, de cobre, de ferro e de chumbo. Este último é o latim do soldado romano, o sermo vulgaris, ou latim popular ou latim castrense, cheio de preposições que substituíram os casos, em obediência às leis glóticas, numa evolução gradual. Surgindo independente o reino de Portugal no século XII (em plena Idade-média, época em que nascem, do embate dos bárbaros com os romanos, nações novas e línguas novas) é natural que também a língua portuguesa se fosse diferençando, com traços especiais, até alcançar uma certa firmeza de formas, com Camões, no século XVI, em plena Renascença. Havia, na Idade-média, duas maneiras do falar. Uns falavam latine (= latinamente) em latim puro; e outros romanice (= românicamente), isto é, um latim estropiado, com um certo sabor romano ou românico. Daí as palavras rimance, romance, romanço para se designarem as lendas medievais, e a própria língua (latim romanço).

Latim arcaico — o mais antigo latim (prisca latinitas).

Latim de ouro (sermo eruditus) — o falado e escrito no século de Augusto.

Latim baixo é a última degenerescência do latim escrito, de que a « Vulgata» é ótimo modelo.

Latim popular ou vulgar ou romanço (sermo vulgaris) — é língua falada pelo povo, língua viva, embrião das línguas românicas. Ao português literário deram no século XV o nome de língua ladinha, isto é, derivada do latim popular.

Latim bárbaro — é o dos tabeliães da Idade-média.

Latim hipotético— quando há palavras que não aparecem nos documentos escritos, mas que se supõe que eram do latim popular.

É, pois, do latim popular que se formou sobretudo o português, bem como as línguas novi-latinas ou românicas. No século XVI, com a cultura latina do Renascimento, quando, nas Universidades de Paris, Oxford, Cambridge, Heidelberg, Praga, Bolonha, Salamanca, Coimbra (as mais antigas Universidades do mundo; a primeira foi a de Bolonha, em 1100, e a segunda, a de París, em 1150) e outras, os estudantes falavam latim correntemente, é natural que muitas palavras novas aparecessem, vindas do latim de ouro de Cícero, Horácio, Vergílio e outros, cujas obras eram usadas nas classes, pelos jesuítas, fundadores do Curso secundário ou curso de Humanidades, em seus célebres colégios. Daí o nome de época clássica dada à que vai do século XVI ao fim do século XVIII; e o nome de autores clássicos aos da mesma época. A língua transforma-se sempre, é claro, pois é um organismo vivo que evoluciona, lentamente, obedecendo às leis glóticas e à célebre máxima: «natura non facit saltus». Toda língua está em eterno caminho de alteração. As vezes, vemos nos dicionários que tal palavra vem do latim hipotético. Isto quer dizer que se supõe que houve uma palavra latina usada nesses tempos remotos, que devia ter existido na linguagem do povo, mas que não aparece nos documentos escritos, nos pergaminhos medievais (pergaminho era a pele de ovelha, alisada, preparada com alúmen para os copistas e outros escreverem, pois o papel só aparece no fim da Idade-Média, feito de trapos, pelos árabes; chama-se pergaminho, porque foi em Pérgamo, cidade da Ásia Menor, que se começou a usar): O pergaminho era caro, e, por isso, usavam folhas já utilizadas, raspando o que estava escrito. Estes manuscritos chamam-se palimpsestos. Hoje, tem-se conseguido reler a primitiva escrita, salvando-se obras, consideradas perdidas, como a « República» de Cícero. O papel generaliza-se no fim da Idade-Média.

Latim bárbaro é o dos tabeliães da Idade-Média, estropiado, mesclado de palavras já da língua falada. Há documentos em Portugal; desde o século IX.

Trecho extraído da “Gramática Latina para os Ginásios do Brasil” do ano de 1942. O autor continua ainda falando sobre “A pronúncia do latim” e por fim da “Filologia e Glotologia”. Assuntos, os quais pretendo trazer em breve.

Ajude o perfil ficar melhor doando Sats: amusedpackage19@walletofsatoshi.com


메타데이터
post_id
fdac39032ffc
slug
o-latim-as-línguas-românicas-ou-novi-latinas-fdac39032ffc
url
https://medium.com/@gabrielroriz32/o-latim-as-l%C3%ADnguas-rom%C3%A2nicas-ou-novi-latinas-fdac39032ffc
canonical_url
https://medium.com/@gabrielroriz32/o-latim-as-l%C3%ADnguas-rom%C3%A2nicas-ou-novi-latinas-fdac39032ffc
author_url
https://medium.com/@gabrielroriz32
status
ok
fetched_at
2026-06-09 15:37:30