Iyá mi, me cura!
águas turbulentas de um mar-imensidão te vi ajoelhada, Mãe beijando a testa de meu irmão com suas mãos de concha segurando o rosto pesado…
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Iyá mi, me cura!
águas turbulentas de um mar-imensidão te vi ajoelhada, Mãe beijando a testa de meu irmão com suas mãos de concha segurando o rosto pesado e triste Chorei, Mãe, também me senti firmado
já chorei tantas lágrimas que ora transbordei e ora fiquei seco sentado na beira da praia esperando a onda me comer por inteiro quebrando meus pés quebrando meu corpo me refazendo adornado de espuma
Epà omi oo, odò iyá! Me cura! que já não consigo mais nadar sozinho que já não canto como antigamente que minha voz já se emudeceu que meu coração não mais ecoa
Odò fẹ́ Iyaba! Sou teu filho, Mãe! peço perdão por não saber velejar por ter sido um marujo tão teimoso e ter me afundado já na onda primeira
me perdoa por não ter sabido te amar e ter recusado seu amor, Mãe Grande sofro como um navegante sem destino por não saber onde e como ancorar-me no amor sei que te magoei, profanei seus encantos e fiz desdém de seus conselhos
hoje vivo na praia com medo de velejar e alçar novas marés, enfrentar redemoinhos Epà omi oo, odò iyá! Yemọjá! te ofereço essas frágeis palavras que queimam ao sol feito espuma para que suas mãos também toquem meu rosto que segure meu corpo, Mãe, enxuga minhas lágrimas salgadas e me leva pra dentro do mar…
Mãe, me cura!
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