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O doutorado em outro lugar.

De início, para os leitores que acidentalmente encontrarem este texto, gostaria de dizer que sou cearense, vivi e cresci em Caucaia (nasci…

Kaio Duarte Vieira · 2025-09-05 18:24 · 0 claps · 3.3 min read
#doutorado #estrangeiro
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O doutorado em outro lugar.

De início, para os leitores que acidentalmente encontrarem este texto, gostaria de dizer que sou cearense, vivi e cresci em Caucaia (nasci em Fortaleza, em 1998, e talvez, por isso, minha identidade é um tanto confusa). Para quem me pergunta de onde eu sou (sabendo eu que a pessoa é cearense) digo que é Caucaia, para quem me pergunta de onde eu sou (sabendo eu que a pessoa é de fora do Estado, ainda mais de outra região), eu digo que sou fortalezense, talvez aí resida a minha crise de identidade atual, até porque quase todas as atividades culturais, de lazer, consumo, estudo e de trabalho, eu fazia em Fortaleza. De qualquer forma, não ponho um óculos espelhado amarelo e digo que sou cria da Barra, como fez o saudoso perdedor de primeiro mandato e ex-prefeito José Sarto. Não quero angariar votos com isso, mas localizar geograficamente a pessoa que está me perguntando. De Caucaia ela não sabe, e talvez se a pessoa souber diferenciar Paraíba (todo Nordeste) de Fortaleza, ela entenderá.

O ponto cinza é onde eu estou. O círculo cinza é a cidade onde eu morava.

O ponto cinza é onde eu estou. O círculo cinza é a cidade onde eu morava.

Fiz graduação e mestrado em Geografia, em Fortaleza, na dita cuja Universidade Federal do Ceará, onde estão muitos ódios e boas memórias. De certo, não me deparava muito com esse tipo de pergunta. No doutorado, isso mudou muito, as pessoas não me conhecem e automaticamente quando eu falo com todas as vogais abertas, a pergunta surge, o que é normal. Quando abro o Google Maps e para em Presidente Prudente — SP, bate alguma coisa diferente: saí da Planície Litorânea do semiárido da Caatinga e estou em uma área de transição entre os Mares de Morro e o Cerrado, o terreno acidentado ante a plana cidade litorânea, a ausência do cheiro da maresia e a forte continentalidade, poucos ventos e baixíssima umidade. Bom, para quem tá lendo, parece que eu vim de propósito para um lugar totalmente diferente de onde eu estava, e sim, foi isso mesmo.

É importante esclarecer que quem nasce, vive e cresce no mesmo lugar não é desprovido, de forma alguma, de consciência de mundo, de ousadia e de independência (ainda mais no atual mundo globalizado), há aqueles também que não possuem oportunidade de sair por questões familiares e financeiras. Porém, existem algumas pessoas que não se sentem confortáveis, possuem incômodos de estar no mesmo lugar, e este é o meu caso, de um geógrafo bacharel pobre. A mudança só foi possível porque obtive bolsa no primeiro mês, tão somente por isso. Por mais que a vontade de ter orientação com a professora que li durante toda a graduação e o mestrado tenha sido maior e que minhas leituras conduzissem para dimensões diferentes daquelas que me nortearam , não ia passar necessidade em Prudente, se fosse para isso acontecer, ficaria em Fortaleza, que pelo menos, eu tinha um teto.

Um lugar totalmente diferente e uma pesquisa totalmente diferente. É claro que além de mudar de lugar, eu ia mudar a pesquisa, né galera?! Temos que nos permitir rs. De modo algum, irei negar ou desprezar as bases de pensamento que me conduziram até aqui (sei que alguns fazem isso, possuem suas motivações, mas não acho tão interessante, tive uma ótima orientação de graduação e de mestrado, assim como todos os professores de Geografia do Ensino Fundamental e do Ensino Médio foram importantes para o meu percurso).

Não criemos torcidas organizadas, o saber é amplo, o direito da discordância é legítimo, assim como da ampla defesa, o que se faz necessário é reconhecer limites e tomar posições, e, de alguma forma, reconheci limitações quanto ao amplo processo de urbanização, das inúmeras transformações das cidades (não limitadas e centralizadas na/pela metrópole). O que faço é um caminho alternativo. Eu prefiro observar desse modo.

É evidente que minha atual pesquisa de doutorado caminha em paralelo com o meu atual pensamento sobre a cidade e o urbano. Aliás, uma nota importante: pensem sobre como realizar pesquisa, os lugares, as orientações… não é nada demais. Trabalhar 2/4 anos com aquilo que você não acredita e não gosta pode ser torturante.

Bom, eu espero conseguir finalizar o doutorado e se depois disso for para algum lugar mais distante, os caros leitores acidentados saberão. Tentarei ser mais assíduo nesta plataforma, eu deveria ter escrito isso há 6 meses, no entanto, só foi possível agora.

UNESP/Presidente Prudente — Vista do GAIA — 14/08/2025

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IPÊ Branco no Parque do Povo — 01/09/2025

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