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A primeira leitura em público!

(Cheguei cedo!)

Diários de Bordo de Teatro · 2018-08-09 01:30 · 0 claps · 1.7 min read
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A primeira leitura em público!

(Cheguei cedo!)

Fui convidada a participar de uma leitura em voz alta (a primeira leitura da dramaturgia) para a turma de 2017 do Técnico em Ator. O encontro havia sido marcado para 14h e, como eu já estava traumatizada pela bronca que Wlad me dera, cheguei 13:30. Coincidência (ou não) todas as integrantes do elenco — Iara, Olinda, Zê e eu — estávamos de preto. Eu só destoava um pouco por causa da calça neon. Subimos até a sala 15 para esperar os alunos da turma, enquanto isso conversamos sobre alguns detalhes do processo. A leitura começou e Flores se disponibilizou para ler as rubricas, títulos de capítulos e etc. Wlad pediu que eu projetasse mais a voz para facilitar a compreensão do texto. A leitura foi rápida — ou passou rápido demais — e durou + ou — 55 minutos.

Foi divertida, voltamos alguns trechos da dramaturgia algumas vezes e depois que a leitura encerrou, os alunos puderam fazer perguntas e observações. Um deles, Caio, foi o que mais falou. O que mais nos intrigou — e o que também gerou um debate maior entre as integrantes do elenco — foi a falta de conflito durante o processo teatral descrito na dramaturgia. O fato de a encenadora, Madame, e a sua assistente, Inês, sempre concordavam em tudo, e a montagem fluir sem desacordos, sem discordâncias… Wlad e Flores reconheceram mesmo após terem apontado um pequeno conflito dentro da dramaturgia e também disseram que esse formato dramatúrgico: conflito crescente, ápice e resolução, não era a proposta. Que a ideia era causar o incômodo da espera.

Outro aluno perguntou sobre o fim desta mulher, a relação dela com a cidade, com os cidadãos. Daí uma enorme onda de discordâncias surgiu entre as atrizes. Iara disse que por ela a cidade tinha sido incendiada junto com a árvore, que os cidadãos mereciam ser queimados juntos. Larissa disse que queimaria a cidade mas deixaria a árvore inteira… falamos sobre ter cuidado com o discurso que a peça poderia levantar, mesmo com várias mulheres fazendo teatro de forma independente já ser um ato político — Larissa falou sobre atos que reforçam discursos opressores… A discussão foi tão acalorada, tão intensa (e um pouco extensa) que a ironia saltou aos nossos olhos: no segundo encontro do grupo as integrantes já tiveram um conflito, imagina como seria num espetáculo mesmo. Algumas perguntas mais tarde, fomos liberadas na hora do intervalo da turma.

ATENÇÃO:

Wlad puxou minha orelha mais uma vez, mas desta vez porque ela percebeu que eu não havia estudado o texto o suficiente. Faltou projeção, intenção e jogo. E ainda disse que se eu não me esforçasse mais, as três atrizes me engoliriam, então era bom eu me cuidar.

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