A deusa do amor, justiça de Xangô e o renascimento de IZA como “AFRODHIT”
No novo álbum, IZA se apresenta como AFRODHIT e traz a justiça de Xangô, o amor e o renascimento de si mesma.
A deusa do amor, justiça de Xangô e o renascimento de IZA como “AFRODHIT”
O ditado popular mais verdadeiro que existe já dizia: “a justiça tarda, mas não falha” e, cá estamos nós, presenciando o sonido do machado sobre a pedra de Xangô decretando justiça artística à IZA e sentenciando sua vida ao renascimento. Após anos de espera, ela renasce como “AFRODHIT”; deusa do amor, beleza e dos hits.
Tratando-se de uma deusa, poderíamos dizer que a principal oração de IZA enquanto AFRODHIT é pedindo o afastamento daquele (s) que aprisionou sua voz, seu visual e sua arte. Ela pede “Que se vá” e ainda joga na roda as reivindicações indevidas e medíocres de um personagem que passou pela sua vida pessoal e artística — não cabe a mim delimitar esse ser humano. A prece continua em “Tédio” numa espécie de crônica musical, a qual roteiriza o momento em que o eu-lírico da canção já não se encontra mais na relação amorosa retratada na letra, não a vê como um amor colorido e percebe que não há remédio que cure essa ferida.

Pensando em outros parâmetros, a AFRODHIT experimenta outra forma de fazer música que não conhecíamos no trabalho fonográfico de IZA. Finalmente, estamos enxergando a IZA em sua versão própria de uma forma singular e intíma. Neste novo álbum, nos é possibilitado visualizar as referências artísticas de IZA para compor todos os elementos que constroem esse renascimento, o que me leva a pensar em “Mega da Virada”, onde ela diz: “Quem tem referência, não fica refém”, era dessa mega da virada que precisávamos.
Para mim, IZA entrega a melhor música do álbum em “Terê” — uma música riquíssima liricamente que nos oferece um “storytelling” que a cada verso da canção nos deixa curioso para saber o desfecho da narrativa. A Teresa é mais uma versão da AFRODHIT. Cadê o visual dessa música?
Disputando o meu favoritismo com “Terê”, o abre-alas da seção, cuja maior parte dos feats está localizada, é a parceria com L7NNON em “Fiu Fiu”. Ei, preta, aqui você foi deusa, tá? A capacidade descritiva na letra dessa música é incrível desde a “entradinha na cintura” à “marquinha de fita”. Eu consigo imaginar os dois personagens retratados na canção. Além disso, há um jogo de palavras no flow do L7 que é de tirar o fôlego: “É que quando ela passa me paralisa / Rebolando na minha frente / Meu mano, eu me sinto num paraíso / Podia dedicar pra elas / Mas essa eu dedico só para IZA”. Artistas.
“Uma Vida é Pouca Pra Te Amar” finaliza o álbum de forma magistral. É como se a AFRODHIT tivesse nos dizendo o que é o amor. É uma canção sensível que já nasce como uma das maiores na carreira da IZA. Com essa música, ela nos confirma que está amando novamente e que a sua redescoberta do amor é parte do processo de seu renascimento como AFRODHIT.
Foram anos de espera para que pudéssemos ouvir um trabalho completo em álbum da IZA. Talvez, o tempo tenha sido necessário para que ela conseguisse se desamarrar das cordas que estavam a prendendo. Para mim, este é um dos melhores álbuns nacionais lançados em 2023. Tem conceito, tem quesito e tem classe.
Essa é a IZA e a AFRODHIT é ela!
Meu advogado ‘tá em cima da pedra: Xangô Te olhando de cima pra baixo (Fé nas malucas — IZA e Mc Carol)
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