Precisamos voltar para terceira classe… ciências naturais.
Trabalhamos o ano inteiro para comer o que antes tínhamos sem trabalhar…
Precisamos voltar para terceira classe… ciências naturais.

Nas cidades pagamos renda para ver e ficarmos presos nas paredes
No campo pagamos zero e vemos o nascer do sol no rio
Manifesto — Dezembro de 2025
Ninguém te diz isto hoje na escola, na televisão nem no Facebook… mas na 3ª classe nos diziam.
Lembras-te do livro de Ciências Naturais da 3ª classe? Cheio de desenhos de couve, tomate, manga, amendoim e feijão-nhemba, etc?
Dizia lá clarinho:
- Alimentos construtores
- Alimentos energéticos
- Alimentos protectores ← aqui estava tudo o que nascia na nossa machamba.
A professora mandava desenhar a pirâmide alimentar e a gente escrevia com letra redonda:
“Os alimentos protectores vêm da horta e do pomar.”
Tirávamos 20 valores… e depois crescemos e levaram-nos numa lavagem cerebral tão grande que esquecemos tudo.
A lavagem cerebral foi assim:
Chegaram os “técnicos”, os “projectos de desenvolvimento”, as “culturas de rendimento”, os anúncios na rádio a dizer:
“Plantem só algodão, só gergelim, só soja… isso é que dá dinheiro!”
A gente acreditou. Raspámos a horta do quintal, cortámos as mangueiras, arrancámos a couve, o feijão-nhemba, a cacana, o amendoim… tudo.
Plantámos só a cultura que “dá dinheiro”. Produzimos toneladas.
Vendemos.
Pegámos no dinheiro… e fomos ao supermercado comprar o mesmo tomate, a mesma couve e a mesma manga que antes nascia de graça no nosso quintal.
Resultado:
trabalhamos o ano inteiro para comer o que antes tínhamos sem trabalhar,
pagamos IVA em cima,
e ainda achamos que somos “empreendedores”.
As culturas de rendimento servem para os grandes, para os burgueses, para os monopolistas, para quem tem tractor, crédito bancário e armazém.
Para o povo que só quer vencer o dia-a-dia, a resposta nunca foi algodão nem soja.
A resposta sempre foi e continuará a ser: uma horta diversificada, três galinhas, duas mangueiras e um canteiro de feijão-nhemba.
Hoje a cidade é um grande esquema de extracção
- Pagas renda para morar dentro de quatro paredes
- Pagas água da torneira que às vezes nem sai
- Pagas luz que apaga bem no meio e na parte mais interessante do filme, novela ou jogo…
- Pagas legumes que vieram dos paises vizinhos
- Pagas IVA em cima de tudo
- Pagamos chapa ou my-love para ir ao serviço — trabalhar.
- Trabalhamos 10–12 horas para pagar tudo outra vez
Resultado: vivemos cansados, doentes, endividados e ainda achamos que isso é “progresso”.
O campo é um esquema de devolução total
- Enfias uma semente → a terra devolve-te 200
- Plantas uma mangueira → ganhas sombra por mais de 70 anos e fruta para os teus netos
- Crias três galinhas → ovos todos os dias + adubo grátis
- Abres a porta → vês céu aberto, crianças a subir em cajueiro
- Imposto? Zero. Licença? Nenhuma.
O paraíso tem morada moçambicana
Fica em Chókwe, Mueda, Gurué, Massinga, Mocuba, Nicoadala…
Em qualquer distrito onde ainda se ouve galo às 5 da manhã e não buzinas às 6.
Precisamos muitos, senão todos voltar para a 3ª classe — agora a sério
A prova final deste ano é dia 25 de Dezembro: ter na mesa de Natal (ou na ceia da noite de 24) pelo menos uma couve, um tomate, um punhado de amendoim ou um ramo de cacana que não veio do supermercado, com portas automáticas ou do mercadinho la da zona… não pagou IVA e não pediu licença a ninguém para crescer. Nos próximos dias tu podes provar isto na pele
Começa já agora em Dezembro de 2025.
- Pega num canto do quintal, num vaso na varanda ou num balde velho
- Planta cacana, alface, tomate, feijão-nhemba, amendoim
-
DezembroDaComidaLivre
- Dia 25 de Dezembro põe na mesa de Natal — comida que nasceu e cresceu livre
- Dia 1 de Janeiro: “Em 2026 o meu supermercado chama-se machamba.”
Isto não é sobre agricultura. É sobre liberdade e descolonizar a mente.
Porque quando produzes a tua própria comida:
- não precisas de salário mínimo
- não precisas de subsídio nem de licença
- não precisas de pedir aumento para comer melhor
- vences o dia… e ainda sobra para amanhã.
A escolha é tuaContinuas a pagar renda para ver parede e a engordar o sistema que te suga…
ou começas a pagar zero e vês o sol nascer no rio?
O paraíso está a 200 metros do betão. Às vezes está a 200 km, no distrito da tua avó. Mas está lá. À tua espera. Com a enxada enferrujada e a terra ainda quente. Pega nela. Volta à 3ª classe — obriga o teu governo a realmente assegurar a tua liberdade e soberania. E que desta vez ninguém mais te lave o cérebro.
Grite, plante. A revolução começa com uma semente. E a semente não paga IVA.

DezembroDaComidaLivre
ParaísoFicaNoDistrito
FugaDoBetão2026
MachambaLivre
VoltaÀTerceiraClasse

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