Elementos únicos na ginástica artística que não vemos mais nas competições
Por Maria de Fátima Rodrigues Costa
Elementos únicos na ginástica artística que não vemos mais nas competições
Por Maria de Fátima Rodrigues Costa
(Publicado originalmente em agosto de 2023 no site blog dos novos, editoria de cultura pop)

A soviética Larissa Latynina, maior medalhista olímpica da ginástica feminina e masculina com 18 medalhas entre ouro, prata e bronze. Durante 1964 e 2012 foi a maior medalhista entre todos os esportes nos jogos olímpicos. (Reprodução: Olympics)
Admirada pelos belos elementos e saltos perigosos, a ginástica teve nas décadas de 70 e 80 seus anos revolucionários, revelação de grandes talentos e rotinas que levavam as notas perfeitas. Hoje as regras de pontuação se tornaram mais complexas e os atletas optam por entradas e saídas mais repetitivas e optam por elementos mais técnicos e confiáveis do que artísticos. A evolução dos treinamentos e a rivalidade entre países por medalhas nos tirou o privilégio de ver certas habilidades nos aparelhos. De Olga Korbut, a querida de Munique, a mais revolucionária entre as mulheres, que deu pela primeira vez um salto na trave, na olimpíada de 72 e mudo para sempre algumas práticas no esporte; Nádia Comaneci e Nellie Kim, as primeiras a terem um 10 perfeito em 76, a ginástica estadunidense, que ganhou mais espaço no boicote da União Soviéticas a olimpíada de 84. Com os treinamentos do consagrado Béla Károlyi, foi o início do caminho em que os americanos tornaram a ginástica mais técnica, deixando de lado a arte que a fazia bela.
Critérios modernos
A complexidade das rotinas é um aspecto fundamental da ginástica artística moderna. Ela se refere à combinação de movimentos e elementos técnicos desafiadores que os ginastas realizam durante suas apresentações. Aumentar a complexidade das rotinas tem sido uma tendência ao longo dos anos, à medida que os atletas buscam se destacar e conquistar pontuações mais altas.
A complexidade de uma rotina é definida pelos elementos e cada um tem um valor. Até 2004 a pontuação máxima era o tão sonhado 10, que poucos conquistaram, após uma polêmica com o resultado de Alexei Nemov, um novo código de pontos foi elaborado, liderado por Nellie Kim, justamente consagrada com a nota perfeita 10. A ginástica também é um espetáculo de precisão, qualquer erro ou desequilíbrio ocasiona descontos na nota final, então eles optam por movimentos mais seguros e com possibilidade de conexões para obter mais pontos, sendo que os elementos variam de A (0,1) a G (0,7), no feminino e o masculino F.
Cada rotina deve ter elementos de cada grau de dificuldade. Para criar um elemento que levará o nome do ginasta é necessário realizar com sucesso em uma competição oficial da Federação Internacional de Ginástica e deve ter um valor igual ou superior a C. Por isso podemos ver ginastas de décadas atrás realizando movimentos ‘’criados” há pouco tempo, pois fizeram em competições nacionais, treinos ou caíram na execução.

Rebeca Andrade com as duas medalhas conquistadas na olimpíada de Tóquio. (Reprodução: O fuxico)
Elementos banidos
Korbut flip
O Korbut flip acontece nas barras assimétricas ou na trave de equilíbrio. Imagine um ginasta pendurado de cabeça para baixo, com os pés próximos à barra ou trave. Em vez de sair da posição invertida como em um salto tradicional, o ginasta executa uma rotação completa de 360 graus, girando ao redor da barra ou trave enquanto permanece de cabeça para baixo. A proeza requer não apenas coragem, mas também força, coordenação e agilidade para girar suavemente e controladamente. Como em 85 as barras foram separadas e as ginastas não conseguiam mais bater o ventre na barra de baixo, não foi mais possível fazer o movimento, porém só foi banido por seu perigo anos depois.
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Mukhina flip
O "Mukhina flip" é uma versão modificada do "Korbut Flip", realizado pela soviética Elena Mukhina, ela era tida como a adversária a altura de Comaneci. Assim como o Korbut Flip, envolve um giro de 360 graus enquanto o ginasta está pendurado de cabeça para baixo nas barras assimétricas. A principal diferença é a maneira como o giro é realizado. Enquanto no Korbut Flip o ginasta gira ao redor da barra com as mãos, no Mukhina Flip, o ginasta gira ao redor da barra com os pés, usando um movimento mais complexo e desafiador. Mukhina Ficou tetraplégica realizando outro movimento perigoso.
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Thomas salto
Criado por Kurt Thomas em 78. O ginasta corre em direção à área de salto, realiza uma série de giros enquanto está no ar e, em seguida, completa um salto mortal (uma rotação completa) para trás antes de aterrissar. Esse movimento foi o que deixou Elena Mukhina tetraplégica, poucas semanas antes da Olimpíada de Moscou. O salto foi realizado pela última vez em olimpíadas em 92 e agora está banido da ginástica por ser muito perigoso.
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One arm giant
A incrível ginasta chinesa e campeã olímpica Liu Xuan o apresentou na olimpíada de 96, ele é comum na ginástica masculina que tem a barra mais fina, como no feminino as barras assimétricas são mais grossa o movimento foi considerado perigoso e foi dado uma pontuação baixa e Liu o tirou de sua rotina. Durante o one arm giant, o ginasta segura uma das barras paralelas com uma mão e usa a força e a coordenação do corpo para girar completamente em torno da barra enquanto a outra mão permanece solta ou é posicionada em uma posição específica para ajudar no equilíbrio.
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A ginasta húngara Agnes Keleti, ela tem 10 medalhas olímpicas, sendo a atleta judia mais bem sucedida da história, escapou do nazismo e é a medalhista olímpica mais velha viva com 102 anos (Reprodução: Olympics).
Elementos que raramente são realizados hoje em dia
Trave
Teza 1
Por Elvire Teza, é um mortal para trás com Giro Completo a partir da Posição Lateral, seguido de Giro de Quadril para Trás.
Entrada Tsavdaridou
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Por Vasiliki Tsavdaridou, Salto rodado no final da trave - flic-flac com 1/1 de giro (360°) seguido de balanço para baixo até chegar à posição sentada em straddle cruzado.
Mo Salto
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Entrada na trave com apenas uma mão, por Mo Huilan.
Salto Produnova
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A norte-coreana Choe Jong Sil tentou pela primeira vez em 1980, em 99 a russa Elena Produnova foi a primeira a fazer com sucesso. É um duplo Tsukahara e considerado o mais difícil da ginástica feminina.
Barras assimétricas
Round off arabian mount
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Salto rodado com montagem estilo árabe, raro e usado em competições nos últimos 30 anos não leva o nome de nenhuma ginasta, mas era feito pela soviética Olesya Dudnik. É à entrada de maior pontuação nas barras, as ginastas hoje preferem entradas simples com pouco risco que queda.
Magaña
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Por Brenda Magaña, três mortais para trás completos, é a saída mais difícil das barras.
Salto Mo
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Por Mo Huilan, salto para frente dobrado sobre a barra alta. É considerado o elemento de maior dificuldade das barras e não foi feito com sucesso nos últimos 10 anos.
Ma dismount
https://www.youtube.com/watch?v=3Z45t3xfhS8
Um dos mais belos e impressionante movimentos, a saída de barras foi feito pela chinesa Ma Yanhong, sua rotina nas barras lhe garantiu a medalha de ouro no aparelho na olimpíada de 84 e um 10 perfeito, apesar de ela ter que dividir a medalha com a estadunidense Julianne Mcnamara, que não teve uma rotina tão impressionante quanto ela. É um Giro de quadril para trás na barra baixa ou alta - Hecht com 1/1 de giro (360°) para salto para trás, o movimento é tão difícil e a finalização da atleta tão perfeita que não há registro de outras Ma foi a primeira chinesa a ganhar um ouro na ginástica em olimpíadas.
E para finalizar veja esse vídeo da diferença da ginástica artística na prova do solo em olimpíadas!
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메타데이터
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