Eu lembrei o que é ir ao cinema
Amarcord, de Fellini, arrancou aplausos e o celular desapareceu da vida.
Eu lembrei o que é ir ao cinema
Amarcord, de Fellini, arrancou aplausos e o celular desapareceu da vida.

Cena de Amarcord, de Frederico Fellini, 1973.
Por Francis Ivanovich:
No último domingo, 09 de julho, eu e a querida Maya Ivanovna, sempre com apurado gosto cinematográfico e literário, fomos ao velho e querido Estação Botafogo, em sua sala escura, assistir Amarcord, filme de 1973, com duas horas de duração, de Frederico Fellini.
A sala do velho Estação é grande e imaginei que ficaria vazia. Me perguntei: quem em 2023, era dominada pelas redes socais e pelo streaming, se interessará ir ao cinema ver um filme de Fellini?
Para minha surpresa, a sala ficou lotada, gente de diversas gerações, muitos jovens, e durante a exibição a plateia ria muito das situações inusitadas no filme.
Outro fato que me chamou a atenção, foi a não intrusão do celular na plateia durante a exibição, o celular desapareceu da vida por duas horas e, ao final, o público aplaudiu com entusiasmo a obra maravilhosa do mestre Fellini. Não acreditei no que estava vendo e ouvindo.
Não há a menor dúvida de que ir ao cinema, sentar-se na sala escura diante da grande tela, dividindo o ambiente com dezenas de pessoas — até encontrei o velho amigo Paulo Virgílio Preard — , para assistir um filme, é uma experiência incomparável, inesquecível, humana, muito prazerosa.
Não há como penetrar num filme, no seu mundo, experimentar tudo o que ele pode oferecer aos nossos sentidos, estando diante de uma limitada tela de computador, tela de TV, ou do melhor aparelho de celular. É uma experiência pobre, incapaz proporcionar a dimensão do que realmente é o cinema.
Atualmente estamos acomodados em nossos casulos, consumindo de maneira adulterada o cinema via streaming. Não há como desfrutar da beleza da fotografia, do talento dos atores e atrizes, dos cenários, do desenho sonoro, e da maestria da direção. Somente a sala escura e a grande tela podem dar a grandeza dessa arte tão importante.
O título Amarcord é a tradução fonética da expressão m’ arcord — eu me lembro — , usada na região da Emilia-Romaga, Itália, onde Fellini nasceu.
Nada mais apropriada tal expressão, pois eu e Maya Ivanovna também nos lembramos do que significa é ir ao cinema ver um bom filme.
Saímos renovados e felizes. Valeu muito a pena. Para terminar, um conselho amigo:
Vá ao cinema!
*Francis Ivanovich é jornalista, cineasta e produtor cultural.
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