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Um singelo episódio tão feliz quanto improvável. Um depoimento pessoal (nada escasso em detalhes…).

Concedem-me, por favor, alguns minutos do seu tempo para que eu possa compartilhar um relato de um episódio que, embora singelo, foi…

Marcelo Augusto Ferrari Rissi · 2025-09-29 23:26 · 52 claps · 4.3 min read
#metal-nacional #heavy-metal-melodico #surpresa #plot-twist #depoimento
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Um singelo episódio tão feliz quanto improvável. Um depoimento pessoal (nada escasso em detalhes…).

Um spoiler do final desse longo depoimento. Um raríssimo CD encontrado… autografado!

Um spoiler do final desse longo depoimento. Um raríssimo CD encontrado… autografado!

Concedem-me, por favor, alguns minutos do seu tempo para que eu possa compartilhar um relato de um episódio que, embora singelo, foi pessoalmente marcante e bastante feliz? Sentem-se, então, que lá vem história. Vocês sabem que eu não poupo detalhes (todo ituano é um tanto exagerado e, no meu caso, não economizo palavras).

É um hábito inegociável: toda vez que conheço um lugar novo, procuro três lugares: lojas de discos, sebos e cafeterias. Alguns desses hábitos, aliás, estão em queda. Quanto aos dois primeiros, o colecionismo de materiais físicos, em era digital, está em franco declínio. Quanto ao último, por outro lado, o brasileiro (incluo-me!) parece bravamente não renunciar ao prazer do café, mesmo habitando os polos vulcânicos de uma terra onde, por 9 meses ao ano, as temperaturas são escaldantes.

Pois bem. Em recente passeio a Poços de Caldas/MG, descobri, logo no primeiro dia, a Loja do Colecionador. Visitando-a, impressionei-me com o extenso acervo. Esperava um lugar com produtos mais comuns e corriqueiros. Dedilhando, porém, a infinidade de itens, descobri um rico e raro acervo, de materiais novos e usados, de discos (inclusive uma safra enorme e pouco usual de LPs de metal), de CDs e de outros produtos de cultura vintage (havia até um Super Nintendo, em perfeito funcionamento, que exibia a tela de abertura do nostálgico jogo Super Mario World).

O estoque era tão imenso, que eu não conseguiria passar os olhos por todos aqueles discos e por aqueles tantos escaninhos com CDs perfilados.

Não sou supersticioso, mas me agrada pensar que algumas coincidências são, na verdade, providências. Uma força invisível repuxou-me, como imã, a uma fileira aleatória de CDs, emparelhada, de forma indistinta, a tantas outras idênticas.

Não tinha nenhum motivo específico para dedilhá-la. Algo me magnetizou até ela, de onde me aproximei. Passei, então, brevemente os olhos e, após inclinar alguns CDs para ver os subsequentes, uma capa imediatamente alumiou um brilho. Era o álbum One, da banda de metal melódico nacional Vandroya!

E eis o porquê de todo esse já demorado depoimento: venho procurando os materiais dessa banda há décadas. Não encontro absolutamente nada sequer na internet e, na escassas vezes que alguma opção desponta na tela dos buscadores, os preços são estratosfericamente altos (normalmente, são vendas internacionais). E bem ali, numa pequena loja do interior mineiro, estava o One, discreto, imóvel e recôndito, como à minha espera.

Para contextualizar: o Vandroya é capitaneado, nos vocais, pela Daísa Munhoz, que participa do projeto de metal opera nacional Soulspell (há, inclusive, uma faixa em One, chamada Change the Tide, também presente em um dos álbuns do Soulspell).

Ainda, a Daísa canta no Twilight Aura, banda dos meus amigos André Bastos (um dos primeiros guitarristas dos primórdios do Angra) e Filipe Guerra. Já resenhei ambos os trabalhos lançados pelo Twilight Aura (For a Better World e Believe), que são primorosos (recomendo muito enfaticamente a audição. O segundo álbum foi lançado agora em 2025 e merece dedicada atenção).

Por oportuno, um parêntese: o primeiro texto que escrevi sobre o Twilight Aura foi o propulsor da amizade que iniciei com o André Bastos, algo que preservo e estimo muito até hoje. Não vou me dispersar do assunto principal, mas deixo esse registro. Essa é uma história que adoro contar, mas fica para outra hora…

Voltando ao Vandroya.

Comprei o CD, que estava conservado como novo e era vendido a um preço bastante justo (um verdadeiro achado!).

Posteriormente, folheando o encarte num café próximo, a cereja do bolo (se eu não estivesse sentado, eu cairia): o material estava autografado por todos os integrantes!

Incrível. Parecia mentira. Se fosse uma história de ficção, o leitor diria que a narrativa era forçada. Um deus ex machina inserido apenas para conferir artificialmente um final feliz, muito improvável, a uma longa peregrinação em busca de um item raríssimo (afinal, eu procurava por um CD do Vandroya quase na mesma intensidade com que um dos personagens buscava um exemplar específico de O Guarani, na história Tudo pode ser roubado, primorosamente escrita por Giovana Madalosso).

Em síntese: a realidade reserva, às vezes, surpresas mais criativas que a própria ficção. E, nesse meu caso, com espantoso plot-twist e com um final feliz! Felicíssimo, eu diria…

Contando assim parece mentira. Então, para “provar”, seguem as fotos, que compartilho juntamente com a alegria transbordante que toda essa situação proporcionou e me dominou!

E como se tudo isso ainda não bastasse, dois dias depois, conheci pessoalmente a cantora Vanessa Moreno, que fez um show gratuito em praça pública na cidade (bem quando eu estava lá!). Ela participou do último álbum do Angra e, ainda, de alguns shows do conjunto (estive presente em um deles em 2024).

Como não levar, marcadas com brasa quente no coração, as memórias da cidade de Poços de Caldas, aconchegada nessa terrinha tão querida, estimada e graciosa chamada Minas Gerais?

É isso. Assim foi o começo das férias!

Muito obrigado pela paciência àqueles que chegaram até aqui!

Um abraço com o exagero ituano!


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