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sobre inícios incertos e corridas na chuva.

como um dia chuvoso me deu vitalidade e determinação para tirar um projeto do papel

tahuany bovi · 2023-09-22 01:50 · 2 claps · 3.3 min read
#personal #running #start #início #corrida
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Wiki topics: 🏃 · Running & Endurance

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sobre inícios incertos e corridas na chuva.

Hoje corri na chuva pela primeira vez. Na realidade, quase não corri, quase me deixei levar pelo fantasma do sedentarismo. Gastei horas no sofá até meio-dia, por pura preguiça de quinta-feira. Enrolei, já com roupa de treino no corpo, como se estivesse esperando a chuva começar para tomar alguma iniciativa. Ou como se o próprio destino se esforçasse para me encaminhar para o fatídico acontecimento de correr com a cara molhada. Nem queria, mas corri. E que bom que corri.

Foi um treino curto, mas um dos melhores que realizei nos últimos tempos. Corri sentindo cada parte de mim viva. O vento e a água em minha pele se enlaçando com o suor. O cheiro de terra fresca penetrando minhas narinas, me relembrando o porquê que sair daquele sofá era tão importante. Naquele dia não havia o sol, de quem sou refém por vitalidade. Apesar disso, aquele tempo aparentemente triste, fechado, me fez tão bem quanto o mais ensolarado dos céus. Há tempos não me sentia tão viva. Correr na chuva me foi um marco, estonteante. Pergunto-me por que não o fiz antes, e desejando repetir a dose, dopada pela droga da endorfina, já apresentando sinais de vício.

A simbiose da chuva e da corrida foram inigualáveis. Nesse movimento, me tornei amiga e apreciadora da chuva, e aprendi a enxergá-la com certa beleza e carinho. Quando conto sobre a chuva que senti, não refiro-me a uma chuva torrencial, mas sim àquela chuva fina, avassaladora.

Mas, meu leitor, hei de ser sincera com você, correr na chuva não é coisa tão romântica assim, confesso idealizar muito do que escrevo — afinal, como sobreviver somente à crueza da vida enquanto podemos fantasiá-la (mas deixarei esse tópico para um próximo texto)? Trazendo uma fala do corredor Bressan Brendon, afirmo: correr na chuva é igual correr com sol, só que com chuva. E como a corrida nunca é só sobre corrida, o correr na chuva também não.

Recordo-me também de uma das vezes em que corri no sol. O dia estava lindo, clima ameno e claro, perfeito para uma corrida ao ar livre. Animada, vesti minha roupa e tênis e saí para o parque. Estava me sentindo muito bem. Sentindo-me melhor que todos, por ter a coragem de levantar cedo e ir para o parque correr.

Apesar da confiança, vi o destino rir da minha cara. Cansei antes do primeiro kilómetro. A garganta seca, o lado direito do peito dolorido e fadigada. Parei, tomei um pouco de água encontinuei. Dali a menos de 500 metros, a mesma sensação. Obriguei-me a pausar mais uma vez e diminuí o passo. Fui nesse ritmo por um tempo mais, até cansar de vez e desistir. Voltei para casa frustrada, tentando manter na cabeça — só foi um dia ruim, feito já é melhor que perfeito, mas o sussurro de "fraca. Isso vai ser algo constante. Perdeu o ritmo, porque tenta ainda?" gritava em meus ouvidos.

Foi todavia, insistindo após esse evento de frustração que acabei correndo na chuva uma de minhas melhores corridas. Insistir apesar das circunstâncias é importante. O corpo é realmente mais forte que a mente diz ser. A corrida vem me ensinando, por episódios como esse, que o processo é importante e, mais ainda, começar apesar do medo e das pedras no caminho. Cá estou agora também, iniciando. Decidindo escrever e publicar minhas reflexões depois de tanto tempo maturando a ideia.

Apesar da tradição, apresento-me a você, leitor, agora, ao final desse texto, torcendo para que não me ache rude ou arrogante. Me chamo Tahuany, tenho 22 anos, nascida e criada em São Paulo. Sou graduada em Artes Visuais, signo de Touro, ascendente em Libra e lua em Câncer (não manjo de signos). A lua estava em quarto crescente na segunda feira em que nasci, às 4:20 da tarde — fato que acho interessante o suficiente para jogar em conversas aleatórias de bar.

Minha cor favorita é um tom específico de verde-sálvia, e minha não-cor favorita o preto. Tenho agonia de umbigos e sou fascinada por filosofia (amante das ideias do polêmico alemão, Friedrich Nietzsche). Gosto muito de MPB e animes e livros e luz.

Com isso, acredito que já estamos íntimos o bastante para abrir meu coração nos próximos textos. Sempre fui apaixonada pela escrita e pela leitura. Tenho, desde muito tempo, uma vontade de compartilhar meus pensamentos e, junto disso, aprimorar minhas palavras. Cá estou, 22 anos depois, tomando coragem para tal e me comprometendo comigo mesma a perseguir essa ânsia, após uma corrida na chuva. Começando apesar do medo, apesar do imperfeito e do dia ideal. A corrida, mesmo em pouco tempo, vem me ensinando muita coisa, e uma delas é sobre essa aflição de fazer. Me desafiar a não planejar tanto e confiar no processo vem sendo importante, por isso, convido a todos com sonhos adormecidos, novamente parafraseando Bressan Brendon — nem pensa, só vai.


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